Para os poetas e amantes de poesias.
Não conheço uma poesia com tanta profundidade e beleza, extraída das páginas sagradas. É preciso conhecer as histórias bíblicas com seus propositais enredos para assimilar a grandeza deste poema.
Jairo às margens do Mar da Galileia
ANA
Entre montanhas de Efraim, eu Ana...conduzia-me em sonho latejante
De um dia ser mãe...
Mas... poderia uma areia esbraseada, estéril gerar a mais delicada vide?
Descobri-me assim, a quem o destino negara-me tamanho prazer.
De afagar um rebento... como viçosa figueira, dar frutos na chegada do verão...
O verão chegou. O cântico com ele não veio.
Como tamargueira no deserto, assim era eu, longe das águas do Jordão... meu ventre era o Neguebe... pederneira sem água... desprovida da neve do Hermon...
Quem dera ser eu como o pomar de Engedi!
As videiras de Akibor...!
Meu lamento, meu amado viu... e em angústias também, achava-se incapaz de consolar-me, ainda que doce era o seu amor...
Quem me poderia trazer esse sonho, como miragem no deserto?
Ano a ano, vinha à casa de meu Deus... nenhuma promessa me ocorria...
Até que, minha alma saturada dessa dor de sonhar, a derramei como torrente amarga, aos pés da Rocha de Israel...
Ninguém ouviu o som da minha voz...
Clamando por socorro, fui tida como vencida do vinho, tal era minha solicitude...
Qual vinho, como serpente, era mais dotado de veneno que minha amargura de um sonho vituperado pela mortal esterilidade de meu ventre?!
Mas de súbito, meu grito de lamento, desprovido de voz, atravessou o véu...
Chegou aos ouvidos de meu Rei, Elion, Elshadai, ao amado de minha alma...
Ele ouviu o meu lamento, pela voz cansada do sumo sacerdote me fez saber: - Vai em paz! ...
Ah, que unguento! Que bálsamo! ... sua mensagem sobre mim... arrancara minha dor...
Ao meu amado voltei, ao seu ouvido narrei o que me ocorreu... o acalanto do alto, em meu desespero, qual chuva serôdia em tempo de fome...
Dias se passaram...meu útero estremeceu...o pulsar do seu coraçãozinho.
Meu sonho chegara... o fruto de meu ventre, tornei-me como Sara, Rebeca, Raquel e Léia, a bela Rute...
Entre as bem-aventuradas mães de Israel, era agora eu, fértil como a terra que mana leite e mel...
Em mim se gerava meu pequeno Samuel...
Como a primícia do meu colo, a Deus o ofertei, porque
Ele me ouviu – SAMUEL.
Jaasiel Jairo Rocha (Nosso mano)
