terça-feira, 7 de novembro de 2017

INCONSCIENTE









INCONSCIENTE FÉ

Hagar espelhando a dor da morte 
Desistindo do seu próprio filho
Sob os escombros da sua agonia
Não percebia a fonte da vida

Gideão malhava o trigo cheio de pavor
Os midianitas não eram o seu fracasso
Ele mesmo só reconhecia em si próprio
A enganosa sombra do medo

Elias dentro de uma fria caverna
Desgastado, suplicava a morte
Sepultando o profeta do El Shaddai
Enquanto uma carruagem descia.

A viúva de Sarepta programando
A sua morte conjunta com a do seu filho
Não pôde perceber que no seu coração
Aninhava-se a disposição de Jeová Jireh

No entanto, no mais inconsciente da sua fé
Todos estes olhavam para aquEle que vê.
E os olhos do grande Eu Sou os via
E as suas mãos poderosas os conduzia.

Ele é o mesmo para toda a eternidade
Nós também vivemos a inconsciência da fé.
Como Josafá, não sabemos o que fazer
Mas os nossos olhos estão postos em Você.

Por Guiomar Barba
25.07.2016



MAMÃE


Eu ainda trago na alma as tuas marcas.
Tentaste pôr-me numa redoma de conceitos.
Envolver-me com mantos negros de santidade,
porque não sabias, mamãe, da tua religiosidade.

Teus medos de trair Jesus, o teu grande amor,
de me criar fora da rigidez dos “mandamentos,”
fizeram de ti uma beata santificada,
mas de mim, apenas a filha de uma religião.

Eras tão mãe nos teus afagos e cuidados,
tão mulher nos carinhos do teu marido,
grandiosa nas tuas orações e na tua fé,
que aprendi a crer bem além da religiosidade.

Foste triste como uma mortal qualquer,
teu corpo morto contava várias histórias.
Partiste com muros que nunca caíram,
mas deixaste tuas atitudes na nossa memória.

Mamãe, tua religiosidade não era pura,
tinha sua beleza na bondade com o próximo.
Eras mãe do órfão, da viúva, do desamparado,
acolhias no nosso lar os desabrigados.

Obrigada mamãe!!!
Por Guiomar Barba
08.05.2017