terça-feira, 7 de novembro de 2017




MAMÃE


Eu ainda trago na alma as tuas marcas.
Tentaste pôr-me numa redoma de conceitos.
Envolver-me com mantos negros de santidade,
porque não sabias, mamãe, da tua religiosidade.

Teus medos de trair Jesus, o teu grande amor,
de me criar fora da rigidez dos “mandamentos,”
fizeram de ti uma beata santificada,
mas de mim, apenas a filha de uma religião.

Eras tão mãe nos teus afagos e cuidados,
tão mulher nos carinhos do teu marido,
grandiosa nas tuas orações e na tua fé,
que aprendi a crer bem além da religiosidade.

Foste triste como uma mortal qualquer,
teu corpo morto contava várias histórias.
Partiste com muros que nunca caíram,
mas deixaste tuas atitudes na nossa memória.

Mamãe, tua religiosidade não era pura,
tinha sua beleza na bondade com o próximo.
Eras mãe do órfão, da viúva, do desamparado,
acolhias no nosso lar os desabrigados.

Obrigada mamãe!!!
Por Guiomar Barba
08.05.2017

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