sexta-feira, 20 de outubro de 2017

DOR

Lateja meu coração sofrido
Como uma ferida inflamada.
Dominada por secreção amarelada
Que se recusa a sarar.
Que dor esta, mais pujante...
Dilacera-me o peito,
Esmaga-me o espírito,
Prende-me a respiração.
Fui cortada desde o umbigo.
Engatinhei sobre pedras.
Cresci entre flores silvestres,
Corri atrás das borboletas.
Armei meu próprio céu de estrelas,
Tirei notas do rugir do vento,
Refresquei-me nas tempestades,
Ganhei cor sob o ardor do sol.
Nenhuma pedra atalhou meu caminho.
Nem noites escuras me fizeram tropeçar.
Mas esta dor inclemente me alcançou.
E eu não paro mais de sangrar.
Guiomar Barba.

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