
P A P I
Hoje, doze de agosto, seria seu aniversário
Mas você abandonou seu tabernáculo
Voou para além, foi para a casa do seu Pai
Já desfruta da companhia de uma família eterna
Mas você abandonou seu tabernáculo
Voou para além, foi para a casa do seu Pai
Já desfruta da companhia de uma família eterna
Você era tão sério, tão calado, tão sensível.
Lembro-me quando lhe dei meu primeiro presente
Comprei apenas uma toalha de banho
Você sorriu e pulou como uma criança.
Lembro-me quando lhe dei meu primeiro presente
Comprei apenas uma toalha de banho
Você sorriu e pulou como uma criança.
Você, de pernas abertas, sentado no chão, sorria
As bolas de gude corriam ágeis com seu toque.
Com os talos do mamoeiro você fazia flautas
Dos seus lábios fazia o mais agudo apito.
As bolas de gude corriam ágeis com seu toque.
Com os talos do mamoeiro você fazia flautas
Dos seus lábios fazia o mais agudo apito.
Sorrindo, levava-nos sobre os seus pés.
Da janela do trem você nos dizia adeus
Descascava cana e fazia rolinhos para nós
E depois varria toda a nossa sujeira
Da janela do trem você nos dizia adeus
Descascava cana e fazia rolinhos para nós
E depois varria toda a nossa sujeira
Pelas madrugadas, mesmo as mais frias
Você se levantava e ia de quarto em quarto
Nos pondo para fazer xixi e depois nos cobria
Era a mamãe a noite e o papai de dia
Você se levantava e ia de quarto em quarto
Nos pondo para fazer xixi e depois nos cobria
Era a mamãe a noite e o papai de dia
Ao sentir minhas cólicas, quando eu já “era moça”
Você levantava ao ouvir meu choro de dor
Silencioso, me trazia um chá quente e sofria
Porque não podia me curar, mesmo com tanto amor
Você levantava ao ouvir meu choro de dor
Silencioso, me trazia um chá quente e sofria
Porque não podia me curar, mesmo com tanto amor
Lembro-me bem, papai querido, do seu ciúme
Não me foi fácil ter o primeiro namorado
Eu já não era a sua criança submissa
Mas você fingia que sim.
Não me foi fácil ter o primeiro namorado
Eu já não era a sua criança submissa
Mas você fingia que sim.
Um dia estaremos juntos de novo, eu sei
Seremos como os anjos, uma família única
Teremos o mesmo Pai em comum
Nunca mais você precisará sofrer por mim.
Seremos como os anjos, uma família única
Teremos o mesmo Pai em comum
Nunca mais você precisará sofrer por mim.
Por Guiomar Barba
13.08.2016
13.08.2016
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