sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MEU PAPITO


    LAÇO DE CARNE

A nossa distância era apenas geográfica,
quando a morte o arrancou de mim.
Mas meu coração viu sua partida — Ele me avisou.
Chorei baixinho, quase não acreditei.

Senti a dor da amputação de um membro;
era como se houvessem me arrancado uma perna.
hoje ainda me pergunto: por que a vergonha?
Estávamos presos por laço de carne.

Foi necessário o processo da sua ausência;
entendi o significado de sair do seu corpo,
para depois caminhar pelas ruínas do luto.
O tempo não apagou seu rosto, seu riso.

Hoje seria seu aniversário — eu me lembro.
Alguém lhe faria um afago, e você riria feliz.
Por trás do seu caráter austero,
Havia o pai, a criança, o meu querido velho.
.
Te amarei sempre papito.

Por Guiomar Rocha.
12.10.2016

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