sexta-feira, 20 de outubro de 2017

TERRA SECA

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas, pessoas em pé, céu, atividades ao ar livre e água



Quando secaste dentro de mim ó minha fonte?
Tu que lavavas o meu rosto no mais cálido ardor do sol
Que em asas me conduzias para além das montanhas
E me fazias repousar em vastos paraísos verdejantes.
Sinto o barulho dentro de mim de terra seca, rachando.
Já não ouço da minha cascata o som das serenatas
Meus olhos já não se embaçam com as lágrimas
Que rolando destorciam as imagens do meu querer
Se eu temesse a escuridão das noites do deserto
Diria que as aves rapinantes prenunciam morte
Vejo miríades de insetos famintos a minha volta
Com seu veneno cruel esperando o tempo à hora
Perscruto os céus negros, antes pontilhado de estrelas
Escuto o estrépito romper-se de fios de esperanças
Vejo a cada passo, sombras que se movem ameaçadoras
Fantasmas que surgem sugerindo ser reais e de presságios
Cambaleante, sem mais argumento para lutar e viver
Senti renascer dentro de mim uma força teimosa
Uma desafiante fome de sobreviver à força do deserto
Volto a escutar a voz firme da minha cascata que me canta
O deserto há de florescer e os pássaros irão cantar...
Guiomar Barba.
07.11.2016

Nenhum comentário:

Postar um comentário