sexta-feira, 20 de outubro de 2017

FIO DE ESCARLATA


Eu, Raabe, mulher escrava da deusa prostituição,
dos caprichos de seus devotos cativa
No cimo da condenada muralha 
Em minha triste solidão, da minha janela
Por algum momento, vislumbrava:
No deserto do sul
vindo o meu resgate.

Quem dera livre desse meu mundo profano, da minha vil identidade!
Nas ruas de Jericó entre os mercadores soubera,
Que do Egito, o Deus dos céus e da terra vinha
Ao romper o Mar Vermelho como cortina
sobre suas asas trazendo o seu povo à terra da promessa.
Entre os dias sombrios em Jericó já a mim estranha,
De repente, com o vento sul, jazem a minha porta os mensageiros da esperança

Eu, por uma estranha intuição, de súbito lhes falei: já sei quem sois, do povo do Deus do céu e da terra;
Sem demora lhes roguei: misericórdia para minha miséria de ser quem sou e pertencer a um povo por si já condenado...
Em meu abrigo os escondi
E como Noé, lhes roguei: permitam-me minha família em minha arca salvar
De pronto, favorável me foram, somente que à janela da minha esperança o cordão de fio escarlata atasse e meus entes sobre minha casa os detivesse.

Prontamente os fiz.
Agora, horas, dias a fio na minha resoluta espera...
Enfim, o terrível dia da espada do Juízo sobre o meu povo
Chegou!
Em meio ao caos das chamas, a mim, como canção de alegria, se me declara: bem vinda Oh mulher pela tua fé! recebes com os teus, o resgate do cordão de fio de escarlata
E adentra a corte de Judá,
A sagrada linhagem do Messias.
Por Jairo Cavalcanti Rocha (Meu mano)

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