sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MAMÃE


Que é isto?
Pensei que encontraria
balões subindo,
a quadrilha acontecendo,
a noiva assanhada,
quase parindo.

O pai exibindo a peixeira
luzindo na cintura,
o noivo molenga,
por trás da saia do padre,
trêmulo, se escondendo.

A mãe da noiva
obrigando a polícia a fazer
o tal do casamento.

Foi tudo uma ilusão?
Não era São João?
O céu estava tão escuro...

Encontrei você esculpida
numa pedra de mármore,
talhada pela morte.

Pedi sua última lição,
mas seus lábios estavam
Lugubremente cerrados.

Mamãe!
Supliquei tanto que você esperasse,
mas cheguei tão tarde...
Não encontrei seu olhar,
sequer ouvi
seu último suspiro.

Não me enganei, mamãe:
era São João ou São Pedro...

Os balões subiram;
os noivos casaram;
a mãe caiu no forró;
o pai da noiva
estava bem animado;
a matutada dançou;
a polícia gostou;
as fogueiras queimaram.
Os fogos enfeitaram
o meu céu escuro.

A vida continuou.
Mas você, mamãe,
Por que não me esperou?
Está doendo tanto...

Os sinos dobraram:
Mamãe. Mamãe. Mamãe.
Por Guiomar Barba
14.07

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