sábado, 28 de outubro de 2017

CONTRASTE
Chove abundantemente
no meu Capibaribe.
Os lampiões escurecem as noites.

Vago pelo silêncio das ruas
Escutando o gemido da fome.
São corpos sob as marquises,
apertando os joelhos no estômago.

No luxo dos condomínios,
lá do outro lado da Veneza,
deitados em berços esplêndidos,
sob colchas quentes de inverno,
ao som do mar sereno,
 iluminados, com mesas fartas,
degustam pratos com trufas brancas.
A esperança das calçadas se escorrega
Pelas enxurradas que vão a paraísos.
São as águas da cobiça, fechando o verão.

Brasil de amor eterno...
Entre as pedras dos condados,
rochas submersas no lodo político,
Apagam as chamas que bruxuleavam.
Por Guiomar Barba
02.07.2015

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