domingo, 22 de outubro de 2017

PAI




Abraça-me como Pai e não como Deus ou Senhor.
Deixa-me apoiar meu rosto em Teu peito e encharcá-lo de lágrimas.
Já me afogo no meu pranto, enrouquecida estou pelo meu lamento.
Intumescidos por abundantes lágrimas, afundaram-se os meus olhos.

Meu coração anseia a Tua, somente a Tua presença.
Nenhum consolo poderia dar-me alento se não, procedentes de Ti.
Minha esperança teima em fugir como um pássaro assustado.
Agarro-me a ela com todas as forças que ainda me restam.

Sem ela, o que seria de mim no passar dos dias?
Romper-se-ia minha vida como um frágil vaso de cristal,
Dormiria o sono eterno de todos os mortais,
Antes que o meu cálice vermelho de odor irresistível se esvaziasse,

Seria em meio aos meus dias como uma abortada pela vida.
Dá-me Tua vida de exuberante alegria para que eu Te louve.
Quero dançar e sorrir ao som de instrumentos variados.
Quero embriagar-me com o gozo dos Teus cuidados.

Deixa a Tua doutrina destilar como orvalho em meu coração.
Consumir toda a escória e embranquecê-la até a transparência.
Quero que o meu viver se confunda ao Teu, e seremos Um.
Aquieta este meu desassossegado coração, trazendo-me paz.

Envolve-me na Tua paternidade, e não me deixes órfã.
Preciso da Tua sabedoria destilada, embebendo todo meu ser.
Tenho sede de Ti, meu coração está ressequido, o sol me queima.
Não há sombras pelo meu caminho, os meus pés vacilam.

Desfalece a minha alma suspirando pela Tua presença.
Não Te demores mais, amigo da minha alma, dá-me vida.
Abraça-me como Pai. Sou Tua! O sangue do Teu filho está em mim.
Estou atada a Ti por laços eternos que não se podem romper.
Pai, Pai, Pai. Sou Tua filha, Tu me gerastes!

Por Guiomar Barba.

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