Senhor!
Hás te esquecido da fornalha acesa?
Vejo como um fantasma passeando,
Sobre as brasas vivas e ardentes,
Meu corpo, no entanto, está queimando.
Uma fumaça quente sai da minha garganta.
Meu peito arfando quase já explodiu
E este ser indolente que faz por mim?
Deus! Ele está no delírio da sarça ardente.
Em cinzas se desfará a minh'alma,
Se do tempo não surgir outro anjo
Que saiba de fogo, ou de fornalhas.
Aspiro voar sob as asas do vento.
Contemplar a Tua glória no firmamento,
Pousar em pastos verdejantes,
Mergulhar fundo em águas tranquilas e frias.
Comer do maná dos anjos.
Sorver o vinho dos vinhedos de Noé,
Ser arrebatada pelo amor inebriante
De versos que não sejam repetições
Do grande amante Salomão.
Quero olhar nos olhos profundos
Do meu grande e eterno Mestre
E sentir por fim a paz que é permanente.
Por Guiomar Barba.

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