domingo, 22 de outubro de 2017








NORDESTE

Por que racha a terra no meu nordeste,
Enquanto no céu azul brilham estrelas?
A abóbada celeste parece zombar da terra
Com sua imponente e grandiosa beleza.

O sabiá fugiu com suas canções
Porque o céu não mandou chover.
O gado com olhar velado de desalento
Exprime no berro agoniado a sua fome.

Foram-se os xexéus, as ribaçãs. Chora a cauã.
O bacurau triste, dentro das grotas,
Solta suas notas de dor, de aflição.
A natureza geme neste misterioso cemitério.

Secam-se os riachos de água suja.
Morre o feijão, o milho, a mandioca.
O feijão guardado que nutria esperança,
Na panela cozinha suas últimas sementes.

O moleque com os olhos lacrimando
Agarrado na velha saia da mãe,
Com o estômago roncando choraminga:
Mãe eu quero cumê.

Não tem dor que doa mais que esta.
Nos olhos tristes do pai se ler a promessa:
Meu filho, de fome tu num vai morrer.
Sem rumo, vamos estrada a fora.

Deixando para trás a vida que está morta
Levando no peito um poço seco
Na garganta um grito preso
Em todo o corpo, apenas sertão.

Por Guiomar Barba.



https://youtu.be/oPOmb05_4gQ

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