domingo, 22 de outubro de 2017

REPRESSÃO


REPRESSÃO
Amordacei os meus desejos
nesta distância negra de continente.
Desenlacei as nossas roupas,
busquei o rastro do teu perfume —
ele se havia evaporado contigo
entre densas nuvens brancas.

Estremeci no quarto vazio;
troquei os lençóis molhados de amor.
Deixei que o vento abrisse as cortinas.
Me atirei na cama, silenciosa,
lavei meu rosto com lágrimas —
o tempo se encarregou de secá-las.

Mas dentro do meu peito intumescido
tem um poço quase transbordante.
Se tu voltares mais cedo,
impedirás que este poço extravase —
pode ser a última gota de lágrimas.

Por Guiomar Barba




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