domingo, 22 de outubro de 2017

OVELHAS SEM PASTOR



Ao ver as multidões, teve compaixão delas,
porque estavam aflitas e desamparadas, como ovelhas sem pastor. 

Não olhaste a multidão, penetraste em cada olhar.
Adentraste cada alma solitária e sem esperança.

Ouviste o gemido oculto, abafado e os gritos de dor.
sob um mesmo tecido roto, negro, asqueroso,
Percebeste o silêncio alto, intenso, a agonia
Que espremia, amordaçava, equalizando cada ovelha

Poucos percebiam que se tocassem no teu manto
Se estancaria toda aquela hemorragia que os minava.
Alguns entendiam que do teu corpo saia virtude,
Mas estavam anêmicos, para moverem-se e tocar-Te.

Em um profundo suspiro disseste aos teus discípulos:
Muitas mãos estão estendidas, mas poucos se enternecem.
Intercedam, pois, para que o amor disponha corações
Que sequem tantas lágrimas e limpem as feridas.

Aqui estou eu Pai, ao teu dispor! Envia-me a mim.
Mas toca-me com uma brasa viva tirada do teu altar,
Para que os meus lábios sejam puros e gotejem mel.
Que as minhas mãos repartam o pão e o vinho vertido.

Por Guiomar Barba
26.06.2017


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