domingo, 22 de outubro de 2017

OS OLHOS DE CONSUELO

                               
                                                   

Aonde te perdestes amiga que já não te encontro?
Olhei teu corpo, teus braços, cabelos, tua boca
E em parte alguma te encontrei, nem mesmo a tua voz
Trouxe-me teu nome guardado em algum lugar da memória.

Sob teus óculos escuros estava protegido o espelho
Que me faria tocar a tua alma e reconhecer-te em segundos.
Conhecias-me bem demais, sabias desta minha sensibilidade.
Removeste o obstáculo e olhastes bem no meu espelho,

Adentrastes no mais profundo recôndito da minha alma.
Por fração de segundo nossas almas se tocaram.
As lembranças de um passado distante se atropelaram
E em silêncio reconheci a minha amiga Consuelo.

Não houve um abraço apertado, nem risos de alegria
Nem lágrimas queixosas ou interrogações prolongadas.
Estávamos em um velório alheio, mas o teu próprio luto
Nos fez calar os gestos e apenas nos sentirmos.

Por Guiomar.




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