domingo, 22 de outubro de 2017

VAI NAZARENO

Vai Nazareno cumprir tua sina
Vê a turba ensandecida
Que brada tua sentença!
O que fizestes Nazareno, para que germinasse
Neles tamanha fúria?

Desprezo atroz!

Vai Nazareno, cumprir tua sina
Vê os poderes da tua religião que se levantam
Para te condenar...

Vai Galileu, cumprir tua sina
Olha a coroa que te espera
Olha o manto real que te puseram nos ombros
Você, Nazareno, que nunca pleiteou reino terreno.
O que eles entenderam, Nazareno?
Que usurparias o privilégio da casta sacerdotal?
Que anularias a lei?
O que dizes de ti, Galileu?

Vai marginal, cumprir a tua sina
Não foi assim que te pintaram? Não ficastes à
Margem do sistema? Não puseste a roda da
História para girar?

Vai compassivo cumprir a tua sina
Vai receber tua sentença,
Teu castigo,
Teu labor
Vai visionário, cumpri a tua sina
Vai sofrer no teu corpo a tua dor

A dor que é de todos nós.
A dor de olhar o caído e passar ao largo
A dor pela prisão da alma
Que suspira liberdade.
A dor que nos punge o peito
De não olhar o órfão e roubar-lhe a esperança
A dor que gostamos de alimentar,
A dor da anti-vida,
A dor da maldição.

Vai Amoroso, suar sangue, entrar em desespero,
Pedir a Judá ao Pai
Vai Amoroso, para tua derradeira cena, vai...

Onde está a fúria dos teus olhos?
A rudeza da tua fronte?
A maldição dos teus lábios?
Ninguém viu
Não existiu
Você é você e seu amor
Você foi você e sua dor.

Vai Rabi, ensinar tua derradeira lição.
Vai consumar o que começastes no Jordão.

Vai Profeta, cumprir os oráculos de Isaias.
Vai Servo, encarnar em ti mesmo o Sofredor.
Vai registrar com teu sangue
Que a missão maior da vida
Que o combustível que afaga a lida
Não pode ser outro, só pode ser o amor.



POR EDUARDO MEDEIROS DE JESUS

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