domingo, 22 de outubro de 2017

E A MORTE MORREU



Encontrei-me com a morte por uns segundos,
Ela intuiu que com suas garras, poderia levar-me.
Olhei nas suas órbitas escuras, ameaçadoras.
Sorri, e com voz calma, tranquila, respondi:
“Ainda me aguardam festas e danças”.

Penetrou-me com seu olhar gélido, caliginoso,
E numa voz gutural sussurrou blasfêmias.
Contorceu-se em ira, ouvi o ruído dos seus ossos,
Que pareciam gravetos crepitando ao fogo.
Seu rosto, antes implacável, amorteceu.

Segui meu caminho entre flores e borboletas,
Sentindo no seu crepuscular, o frescor da tarde.
O silêncio de vozes inconvenientes era perfeito.
Apenas a natureza cantava sua doce canção.
O meu coração festejava um novo amanhecer.

A vida que dava lugar à outra vida enlanguescia,
Embalada pela noite que se achegava num matiz.
Esplendido! Espraiava-se por toda a abóbada,
Deixando sobre uma imensa cama de algodão,
Um iluminado azul, bordado de cintilantes estrelas.

Por Guiomar Barba.













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