domingo, 22 de outubro de 2017

PEDRÃO



Na calçada da casa, eu até já ajudei
O Pedrão, a remover os pratos de barro
Com galinha preta e bolinhos
Era a briga pela maior clientela.

O Pedrão, paciente, tirava cada prato
Punha dentro do saco e quebrava
Ele preferia confiar no seu taco
Para garantir a grande clientela

Nos fins de semana o Pedrão nem ligava
Para os apelos de amigos, de que as músicas
Deveriam ser de pagode, e brega
Era delas que o povão gostava

Seus clientes então, aprendiam a escutar
Gente como o Chico Buarque, apreciando
A cerveja o caranguejo, a ostra com coco,
O caldinho de mariscos e o camarão

Era gente guerreira, que do salário,
Tirava para se divertir nos fins de semana.
E ali estava o Zezão, debruçado no balcão.
Não queria cerveja, queria cachaça.

Uma, mais outra, mais uma e outra
E lá se foi a consciência do homem.
No ruge-ruge, entre pedidos e pagamentos
O Pedrão sempre estava atento a tudo.

Como por instinto, ergueu os olhos para o mar,
E por um minuto observou o corpo boiando,
Mas estava tão tranquilo que inquietou o Pedrão,
Que grandalhão, com poucas e rápidas passadas,

Entrou mar adentro arrancando o Zezão pra vida.
Pedrão é esperto, conhecia a intenção maldosa
Dos espíritos, de conduzir à morte, o Zezão,
Levando-o como se fossem apenas as ondas do mar.

Por guiomar Barba                    

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